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sexta-feira, fevereiro 07, 2014

TEMPO DE IPÊS: MULUNGU E A NATUREZA

A floração do ipê-amarelo deixa ainda mais bonitas as serras no Maciço de Baturité. A queda das folhas,deixando apenas flores nos galhos, singulariza a beleza verde do lugar. Ira Mulungu é entender que o grande destino é o percurso,não a chegada. É mais uma viagem que fazemos no Ceará alto.

O sertanejo com sede subiu a serra atrás de água. Fincou os dois pés e construiu um povoado que virou cidade. Mas agora quem vai a Mulungu, uma pequena notável no Maciço de Baturité, quer ver o belo da natureza. É mais uma viagem que fazemos a pontos altos, revisitando o Ceará de quem sobe.

O que Guaramiranga já se agigantou na última década, pelo forte fluxo turístico e de empreendimentos, dando mais ênfase a esse setor, Mulungu ainda tem de cidadezinha do Interior, menos tocada por quem não nasceu lá. A cidade se apresenta sem imponência nem exuberância, é só simplicidade. É também de lá que se pode ver o Ceará sertanejo, cidades como Caridade e Canindé - vistas também de 'Guará'. O 'exuberante' fica por conta da natureza. Como aqui o grande destino é o percurso, não a chegada, o bom mesmo é viajar sem pressa. Motivo: a paisagem está logo ao lado. Altos e baixos das serras em um verde singular. Na subida, cada curva na estrada se torna um mirante.

Mas espera: pontos amarelos espalhados pelo horizonte verde. Estamos em plena floração do Ipê-amarelo (de nome científico Tabebuia Alba), o Pau D'arco (os indígenas utilizavam sua madeira para fabricar arcos e flechas).

As árvores gigantes, de troncos bem eretos, são avistadas de longe. A queda da folhagem, persistindo as flores, dão singularidade à beleza dessa planta. A região está cheio de ipês.

O Maciço de Baturité teve sua povoação muito cedo, tempo em que as secas já assolavam o 'Siará'. Quem não ia para o litoral, subia a serra - no sertão não dava pra ficar e morrer. Mulungu, que  já foi distrito de Pacoti, passou a plantar café, ganhando fama por isso.
Terra do café
A tradição é mantida no centenário Sítio São Roque, pioneiro no café sombreado no Ceará - as instalações completaram um século em agosto de 2013. A história é assegurada pelo patriarca Gerardo Queiroz. O café ainda é produzido nos antigos moldes agroecológicos.
Subir não é verbo só de quem chega a Mulungu. Os moradores de lá, católicos devotos, sobem o Alto de Santa Luzia em reza e oração por São Sebastião, padroeiro do Município e um de seus maiores ícones.
No ponto mais alto da cidade, a imagem é vista desde as ruas do Centro. Numa outra perspectiva, dizem que o santo vigia a cidade, do alto da serra. Mas para as famílias lá do morro, faltam políticas públicas para "vigiar" melhor a escadaria.
Mulungu está a 801 metros acima do nível do mar, suficiente para a agradável temperatura entre 15°C e 25°C. Nestes tempos de chuva, a sensação de frio é ainda maior.
MELQUÍADES JÚNIOR
REPÓRTER DO DN