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quarta-feira, abril 30, 2014

“É difícil chegar sozinho em casa”, diz pai de bebê que perdeu a mãe com câncer

Arthur nasceu prematuro, aos seis meses, e deve ficar internado por mais três.
A vida do garçom e representante comercial Felipe Cabrera Pandovani, de 26 anos, mudou radicalmente em abril. Ele precisou lidar com o nascimento prematuro do filho Arthur, aos seis meses de gestação, perdeu a mulher, que se tratava contra um câncer e agora comove o país com uma historia de luta pela vida.
A campanha para ajudar as despesas do hospital particular onde o Arthur está internado — e deve ficar por mais três meses — cresce rápido. Entre domingo (27), quando a história veio à tona, e ontem, foram mais de 11 mil novas curtidas na página Amigos Da Patricia, Felipe E Arthur no Facebook.
Felipe não tem recebido apenas dinheiro. O novo papai tem contado com mensagens de esperanças de pessoas que nem conhece.
— Tem muita gente me mandando mensagem. Meu telefone toca a cada dois minutos. 
A esposa de Felipe, Patrícia Alves Cabrera, teve de interromper a quimioterapia após descobrir a gravidez. Mas a doença avançou muito rápido e repentinamente. O parto prematuro era a única chance de tentar salvar mãe e filho. Uma semana após a cirurgia, em 22 de abril, ela não resistiu à doença e morreu.
Público x Particular
A dívida com o Hospital São Paulo, em Araraquara, no interior de São Paulo, segundo o garçom, já chega a R$ 50.000. Felipe explica que existiam três opções para realizar a cesárea, mas o hospital particular era o único que tinha condições de cuidar de mãe e filho.
— A Santa Casa de Araraquara tinha suporte para a cirurgia, mas não para cuidar do bebê. A outra opção era o Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, mas não tinha vaga.
O garçom conta que, após a morte de Patrícia, sua vida já virou uma correria por conta da campanha.
— No quesito assimilar, o que eu posso falar é que à noite é a pior parte, é difícil chegar sozinho em casa.
Agora Felipe se prepara para terminar o quarto do filho e poder recebê-lo em casa. Como trabalha durante o dia e à noite, vai precisar rever sua rotina para cuidar de Arthur.
Além disso, vai contar com o apoio da mãe, aposentada, e da cunhada, que tem tempo livre e se prontificou a ajudar a cuidar do sobrinho.
— Na hora que ele sair, vai estar tudo no jeito.
Críticas
Felipe revela que tem ouvido muitas críticas de pessoas que diziam que ele e a mulher não deveriam ter engravidado. O representante comercial explica que o casal não estava tentando ter um filho e a gestação foi uma surpresa.
— Por causa do tratamento contra o câncer, os médicos diziam que a Patrícia não poderia engravidar. Fazia dois anos que ela não menstruava e não tinha ovulação.
Agora o garçom visita Arthur no hospital pelo menos duas vezes ao dia. Durante o tempo em que estão juntos, Felipe aproveita para conversar bastante com o filho.
— Os médicos recomendaram que eu falasse bastante. Ele já saiu da barriga da mãe, não escuta mais a voz dela, precisa ir se acostumando. Ele vai precisar muito de apoio.
Com informações do R7