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terça-feira, maio 27, 2014

Caramujo ataca plantios em Mulungu

Os sítios e hortas de pequenos produtores rurais neste município, no Maciço de Baturité, estão sendo atacados por uma praga bem diferente das convencionais combatidas no Interior do Ceará, de formigas e de lagartas. Segundo o secretário municipal do Desenvolvimento Agropecuário, Francisco Camurça, os invasores são caramujos africanos. O problema foi detectado há pouco mais de uma semana, mas como os moluscos se reproduzem rapidamente, ele e sua equipe já estão criando um plano de ação para combater a praga.
Esta semana Francisco Camurça já começou a se reunir com representantes da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará (Ematerce), da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e lideranças comunitárias para iniciarem uma campanha de mobilização. Quanto maior for o número de participantes mais rapidamente o problema será solucionado. A preocupação ocorre porque, além de se proliferem rapidamente, os caramujos têm habito noturno, sendo mais difícil de localizar suas colônias. O combate é tão difícil quanto ao mosquito da dengue. Se o vizinho não ajudar, eles se multiplicam novamente.
Além das plantações de feijão e de milho o caramujo se alimenta de qualquer vegetal. Sem o controle até os bananais e pomares correm o risco de ser devorados. Como praticamente não existem predadores naturais, como tejos e gaviões, haverá necessidade dos técnicos, produtores e a população se unirem para enfrentarem a praga.
A única maneira de evitar o aumento crescente dos caramujos é efetuando a coleta manual. Após o recolhimento, os espécimes serão despejados em vasilhames com sal ou cal e depois, incinerados. Mas há necessidade de engajamento de todos, tanto das entidades públicas como os pequenos produtores e até moradores de Mulungu. "Com o apoio da comunidade será possível controlar a praga em no máximo 60 dias", avaliou o secretário. Essa é a expectativa do produtor rural Antônio de Pádua, da localidade de Couro, na periferia da cidade. Além dele, outros 20 pequenos produtores tiveram suas plantações de feijão dizimadas pelo caramujo. Eles já detectaram focos da praga nas comunidades de Guritiba, Petrópolis e Flamengo. De acordo com o gerente do escritório regional da Ematerce, Sinival da Costa Lopes, no ano passado, o mesmo tipo de parasita atacou plantações no vizinho município de Pacoti.
Em Redenção, anos antes também houve foco da mesma praga. Os moluscos, da classe Gastropoda, de concha cônica marrom ou mosqueada de tons claros, nativos da África, foram introduzidos na região do Maciço de Baturité na década de 1980, para substituir o escargot.
Diante do novo desafio, o secretário Francisco Camurça pretende convidar biólogos pesquisadores da Universidade de Integração Internacional da Losofonia Afro-Brasileira (Unilab) e da Universidade Federal do Ceará (UFC) para realizarem estudos e criarem mecanismos de prevenção ao visitante indesejável. Por enquanto, além da chegada dos caramujos, como alternativa para comercialização nos restaurantes, sabe-se apenas que a procriação aumenta com a chegada de temperaturas frias, chuvas e intervalos com forte calor, como vem ocorrendo nesta região serrana.
O agente regional de saúde pública da Funasa, João Vianei, participou do combate a praga do caramujo no ano passado, em Pacoti. Após consumirem toda a plantação de chuchu, a Prefeitura pagou até R$ 5,00 por balde cheio de conchas. Até crianças participaram da coleta. Na avaliação dele a proliferação em Mulungu em breve deverá atingir a mesma proporção se não agirem rapidamente. É uma espécie extremamente prolífica, alcançando a maturidade sexual aos quatro ou cinco meses. Sua fecundação é mútua, pois são hermafroditas e podem realizar até cinco posturas por ano, podendo atingir de 50 a 400 ovos por postura. Os moluscos africanos atingem até 18cm de comprimento de concha e pesam até 500g. A espécie é mais ativa no inverno, mas resistente ao frio e à seca.
Com informações DN 
Foto: Neto Rodrigues