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sexta-feira, maio 16, 2014

Garota de programa trabalha há 22 anos quase em frente ao Castelão

“No Castelão já foi gasto uma fortuna, mas nunca o Poder Público fez algo pelas garotas de programa da região”, conta Patrícia, que vende o corpo há 22 anos no entorno.
Tribuna do Ceará vem publicando desde quinta-feira (15) reportagens sobre o grave problema da prostituição, que acontece a céu aberto, nas proximidades do Castelão, em Fortaleza, palco de seis jogos da Copa do Mundo de 2014. Foram várias histórias ouvidas, mas uma delas chama a atenção.
“Quase fundei essa avenida, estou aqui desde 1992”. É assim que Patrícia começa sua história. A moça vai todos os dias para a Avenida Juscelino Kubitscheck (antiga Avenida Padaria Espiritual), no Bairro Passaré, desde os 15 anos de idade. E, hoje, aos 37, diz que prefere estar ali do que trabalhar como doméstica, por exemplo. “Em casa de família eu ia ganhar pouco e ainda tem muita humilhação. Aqui eu faço meu trabalho, meu horário e ainda faturo muito dinheiro”, revela. Seus amigos e familiares, porém, acham que ela trabalha em uma confecção.
Casada e mãe de um bebê de dez meses, a menos de 1 quilômetro do estádio, Patrícia ganha cerca de R$ 300 por dia. O valor do programa pode variar entre R$ 50 e R$ 100, “dependendo do serviço”, segundo ela. Com o dinheiro, a mulher já comprou até casa própria e disse, entre risadas, que pode comprar outra amanhã, se quiser. Patrícia sustenta a casa com o dinheiro que ganha, mas mais do que isso, está ali porque gosta do trabalho que exerce diariamente.
Com clientes fixos, inclusive um canadense, Patrícia não tem horário para chegar à avenida. Tudo depende da hora em que consegue deixar o filho na creche. E o horário de voltar pra casa depende do movimento. “Se tiver bom eu fico até tarde.” Sobre a Copa do Mundo, ela é taxativa ao afirmar que seria melhor se não tivesse. Segundo ela, o fluxo de pessoas cai muito, além de tudo ficar mais caro nas redondezas.
Tribuna do Ceará