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sexta-feira, junho 13, 2014

Abertura da Copa divide opiniões ao redor do mundo



Pelo mundo, a apresentação dividiu opiniões na imprensa. O jornal Marca, da Espanha, chamou o espetáculo de 'discreto'. Na Itália, a crítica foi para o curto tempo de duração da festa inicial
FOTO: REUTERS
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Durante a festa, a presidente da República, ao lado do mandatário da Fifa, ouviu parte do público gritar xingamentos contra ela
FOTO: REUTERS
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Torcedora celebra primeiro jogo da Seleção do Brasil no novo estádio da cidade de São Paulo
FOTO: REUTERS
Transmitida ao vivo para o público de todo o planeta, a cerimônia de abertura da Copa do Mundo causou reações de todos os tipos ao redor do mundo. O evento, realizado, ontem, em São Paulo, rendeu elogios e críticas na mídia internacional.
O jornal "Marca", da Espanha, por exemplo, chamou o espetáculo de "discreta cerimônia de inauguração". Postura semelhante teve o jornal francês "Le Monde". "A (muito curta) cerimônia de abertura do Mundial" foi a chamada para a página de fotos do evento. As legendas destacam que "a festa durou 25 minutos, com o relógio na mão", em crítica.
No jornal "La Gazzetta dello Sport", da Itália, a manchete era "Amazônia, capoeira e J-Lo (Jennifer Lopez). E o show dura apenas 25 minutos". O jornal chamou o evento de "grande espetáculo", mas lamentou pela brevidade do show, em especial a participação da cantora Jennifer Lopez. "A estrela cantou o hino da cerimônia 'We are one', com Pitbull e Claudia Leite. Dilma Rousseff e (Joseph) Blatter ausentes para evitarem vaias", relatou em referência a postura das autoridades.
Identidade
Para o jornal "El País", da Espanha, a abertura ficou marcada pela presença da identidade brasileira e pelos protestos contra a presidente Dilma. "Ao redor de uma bola luminosa gigante, plantada no centro do campo do Itaquerão, a cerimônia de abertura concentrou as três grandes fundações da identidade do Brasil. A natureza, a diversidade de raças e culturas, com a música e a alegria de viver que caracteriza o povo brasileiro", destacou.
A cantora brasileira Claudia Leitte foi elogiada pelo jornal, que afirmou que a cantora, "ao ritmo de Brasil, Brasil, incendiou o público".
Na Inglaterra, o jornal "The Guardian" praticamente ignorou a festa de inauguração do Mundial. Na galeria de fotos, o diário usou de ironia para descrever o show musical das cantoras Claudia Leitte e Jennifer Lopez com o rapper Pitbull.
"As primeiras coisas em primeiro lugar. Na cerimônia de abertura, a cantora americana Jennifer Lopez se apresenta com algumas outras pessoas, um deles aparentemente chamado de Pitbull", afirmou, sem mencionar a brasileira.
A presidente Dilma Rousseff quebrou uma tradição de pelo menos 20 anos ao não discursar na abertura da Copa do Mundo. Temendo vaias, ela evitou os microfones e teve o seu pronunciamento substituído por uma homenagem a paz.
Em seu lugar, o locutor do estádio, responsável por anunciar escalações e trocas de jogadores durante a partida, fez o anúncio: "Declaramos aberta a Copa do Mundo".
A declaração aconteceu segundos após três crianças vestidas de branco soltarem três pombas no centro do gramado, enquanto jogadores das duas seleções faziam um círculo. O pedido foi pela paz e pelo fim da discriminação.
Dilma e Blatter são  alvo de xingamentos
A presidente Dilma Rousseff e o mandatário da Fifa, Joseph Blatter, foram hostilizados durante e depois da cerimônia de abertura da Copa do Mundo, ontem, no estádio Itaquerão. Os torcedores gritaram expressões de baixo calão contra a presidente da República e repetiram os protestos contra a Fifa.
Os xingamentos à Dilma Roussef foram fortes, mas localizados. Partiram próximo da área VIP (uma das mais caras), onde o ex-governador José Serra estava. Mas essa hostilização à presidente não durou muito tempo.
Lembrança
Além disso, a cerimônia foi marcada pela lembrança a todos que trabalharam nas 12 arenas do torneio e fez uma referência aos operários que morreram nos períodos das obras.
No decorrer da construção das arenas para a Copa, três operários morreram apenas no estádio de abertura, além dos acidentes em outras sedes. Os nomes das vítimas não foram mencionados na homenagem.
Revivendo experiência
Nas cercanias da Arena Corinthians, uma cena aparentemente frugal. Um ancião caminhava junto com um garoto em direção ao Itaquerão. O que poucos sabiam é que ali, com passos não muito longos, mas apressados, estava um homem que levava o neto para reviver experiência sentida há 64 anos: assistir a um jogo de Mundial e em casa.
Wilson Bolsoni, 74, foi testemunha de uma tragédia do futebol brasileiro. Com 10 anos de idade, estava nas arquibancadas lotadas do Maracanã e viu o Brasil sair de campo derrotado pelo Uruguai. "Minha primeira Copa do Mundo foi em 1950, quando o Brasil perdeu. Então, tenho o prazer, de assistir ao segundo Mundial da minha vida. Me sinto um privilegiado, principalmente porque moro ao lado do estádio Itaquerão e verei com minha filha e meu neto", ressaltou Bolsoni, lembrando que o Maracanazo ficou para trás.
"Naquele jogo no Maracanã, tinha 10 anos, mas isso é passado. O importante é que estou aqui, junto com esse povo animado nessa Copa que será a melhor da história, a começar pela vitória de hoje por 2 a 0", profetizou.
Até onde a vista alcançava, era possível ver bandeiras mexicanas. Mesmo sem estar envolvido diretamente com a abertura, os aficionados pelo México deram um toque tricolor à aquarela que parecia ser o Itaquerão.
Itaquerão foi o point de turistas e paulistanos
Cordilheiras foram transpostas, desertos atravessados e oceanos superados. Ontem, todos os caminhos levavam ao Itaquerão. Seja de avião, trem ou carro, a maior cidade do País parecia convergir para um único ponto, desde as primeiras horas do dia. Do aeroporto de Guarulhos, a cada voo que chegava e passageiro que desembarcava, era possível ver torcedores de todas as nacionalidades vivenciando o Mundial com camisas e bandeiras.
Localizada na Zona Leste da cidade, a Arena Corinthians fez paulistanos e turistas irem às estações de metrô para se dirigirem ao local onde todos os fãs de futebol queriam estar, mas que apenas 61 mil tiveram acesso.
Lá estava o chileno Pedro Reyes, 57, peruca com as cores da bandeira do Brasil. "Para mim é uma grande chance estar aqui. Estou de férias e resolvi arriscar e procurar alguém que esteja vendendo ingresso próximo ao estádio. Se não conseguir, não será o fim do mundo assistir o jogo de abertura pela TV."