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quarta-feira, abril 08, 2015

Christina Lemos diz que Dilma faz PMDB provar do próprio veneno

Depois de uma sequência inacreditável de erros políticos que começou na própria composição do ministério, e culminou com a fritura de Pepe Vargas, a presidente Dilma surpreendeu nesta terça-feira ao lançar mão de um recurso óbvio, que sempre esteve nas suas mãos, mas que ela usou no momento certo: Michel Temer. Ao instalar o vice na articulação de governo, Dilma fornece aos rebeldes do PMDB um interlocutor à altura. Em resumo: faz o PMDB provar do próprio veneno.
No quinto ano ao lado de Dilma, Temer finalmente assume a parcela de poder que lhe cabe, por direito conquistado nas urnas. Seu principal problema estará em casa: o partido que preside. Foi justamente sua ascenção política que ajudou a vencer a crônica divisão interna da legenda. Ironicamente, a unidade do PMDB depende novamente de seu sucesso.
Com a nova tarefa atribuída ao vice, os insatisfeitos Renan Calheiros e Eduardo Cunha vêem atendida uma das suas principais reclamações: a de que o partido não tinha espaço nas decisões de governo.
Para completar, Dilma extinguiu a pasta das Relações Institucionais - um cargo capaz de fritar qualquer titular, seja qual for o seu perfil: do pacato Aldo Rebelo ao inexpressivo Luiz Sérgio. E instaurou uma espécie de parlamentarismo informal - o que foi imediatamente compreendido pela oposição, ao reconhecer em Michel Temer um tipo de primeiro-ministro.
Agora o time de Dilma baixou para 38 ministros. Só falta enxugar mais 18 vagas para atender a outra demanda defendida pelo PMDB. Inclusive pelo próprio Temer.
R7