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segunda-feira, abril 20, 2015

Travesti espancada diz que negou agressões de policiais para reduzir pena

Verônica Bolina, de 25 anos, que ficou com o rosto desfigurado após ser espancada na carceragem do 2º DP, no Bom Retiro, disse em depoimento ao Ministério Público na tarde desta sexta-feira, 17, ter aceitado gravar declarações negando ser vítima de tortura e agressões de policiais em troca da redução de pena. 
O relato, diferente da primeira versão da travesti à Polícia Civil, foi feito a promotores do Ministério Público que investigam a atividade policial, o Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial (Gecep).
A Promotoria confirmou ao Estado neste sábado que Verônica declarou em depoimento na delegacia ter sido orientada a dizer que foi espancada por presos com a garantia de ficar menos tempo presa. O MP disse não saber quem prometeu auxiliá-la com a redução de pena. 
Em uma entrevista gravada por Heloísa Alves, coordenadora de Políticas para a Diversidade Sexual do Estado de São Paulo, Verônica afirma que estava "possuída" e que não foi torturada pelos policiais. 
"Todo mundo está achando que eu fui torturada pela polícia, mas eu não fui. Eu simplesmente agi de uma maneira que achava que estava possuída, agredi os policiais. Eles só agiram com o trabalho deles", disse a travesti.
Na última quinta-feira, a Corregedoria da Polícia Civil abriu inquérito para investigar o caso.  
A Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados cobrou do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), e do procurador-geral do Ministério Público de São Paulo, Márcio Fernando Elias Rosa, informações sobre as agressões praticadas por policiais contra Verônica, no domingo passado. O presidente da comissão, deputado Paulo Pimento (PT-RS), instaurou procedimento para apurar crimes de tortura, agressão, racismo e homofobia. 
O caso
Verônica foi fotografada com o rosto desfigurado, cabelos cortados e com os seios a mostra no distrito policial, na região central de São Paulo. Em uma das fotos, ela aparece com as mãos e os pés algemados, deitada de bruços e com a parte de trás da calça rasgada. A travesti também é acusada de morder e arrancar parte da orelha de um carcereiro.
As imagens que expõem Verônica com várias marcas de agressões no rosto, sem camisa e com o cabelo curto causaram comoção nas redes sociais e os ativistas LGBT lançaram a campanha #somostodasVerônica. Militantes acusaram os policiais de terem torturado e humilhado a travesti dentro da delegacia.