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quinta-feira, abril 14, 2016

Campo Novo, em Quixadá: Um paraíso para o mosquito aedes aegypti

A cidade de Quixadá passa por um momento delicado em razão da proliferação do mosquito aedes aegypti, principal transmissor da zika, dengue e chikungunya.
É cada vez maior o número de pessoas doentes, especialmente no Bairro Campo Novo, um dos mais populosos. Como resultado, a Unidade de Pronto Atendimento do município – para onde a maior parte dos doentes se dirige -, quase sempre está funcionando acima da própria capacidade, alguma vezes atendendo até 400 pessoas durante o dia.
Poderíamos até falar que a luta contra o mosquito está sendo perdida, mas esta luta é, aparentemente, inexistente. As ações do poder público contra o mosquito, ao longo dos últimos meses, foram meramente pontuais e não seguiram um cronograma devidamente regular e extenso, nem a altura da ameaça que oaedes aegypti representa;  e, hoje, essas ações acontecem como reação ao surto. Mas, justiça seja feita, se faltou ação do poder público numa ponta, na outra sobrou e sobra irresponsabilidade de boa parte da população, que simplesmente insiste em não fazer sua parte.
Captura de Tela (120)
Bairro Campo Novo, em Quixadá.
No Bairro Campo Novo, por exemplo, a situação é a seguinte: tem-se um bairro onde as casas são extremamente próximas umas das outras. O sistema de abastecimento de água é irregular. A coleta de lixo é irregular. As residências, como é normal fazê-lo, produzem lixo todos os dias. Verdadeiros lixões circundam o Bairro, entupindo os terrenos que o ladeiam com todo tipo de sujeira. Boa parte dos reservatórios de água nas residências são descobertos ou não recebem cuidados adequados, ou as duas coisas. Junte a isto tudo o número crescente de pessoas doentes. Pronto. Para o aedes aegypti esta é a visão do paraíso. O lugar ideal para investir na própria reprodução e para morar por longos dias.
Neste cenário, muitos reclamam do que entendem ser irresponsabilidade do poder público, que não consegue tomar as rédeas da situação, reclamação que é compreensível. Ao mesmo tempo, porém, deixam que uma boa dose de ignorância continue direcionando o próprio comportamento. Isto porque enquanto o cidadão fala mal do poder público, o mosquito faz festa naquele vasilhame que há quase um mês acumula água parada no quintal da casa dele. Outros não cuidam das caixas d’água. Não limpam seus quintais. Não vistoriam os lugares mais propícios para o nascimento do mosquito. Os hábitos de limpeza mais básicos muitas vezes são desconsiderados. Irresponsabilidade de um lado e ignorância de outro. Ponto para o mosquito.
Hoje a prefeitura anunciou que aumentará ainda mais as ações contra o aedes aegypti no Bairro Campo Novo, inclusive com uso do carro fumacê. É uma boa medida. Mas não funcionará a menos que a população se conscientize do seu papel.
Ou destruímos esse paraíso do mosquito ou, do contrário, deixaremos que a ignorância e irresponsabilidade – aliadas das doenças -, continuem nos massacrando. É uma escolha que não pode ser feita só pelo poder público. Cada cidadão deve se sentir na obrigação de fazer a sua parte.
Fonte: Monólitos Poster