Searching...
quarta-feira, julho 06, 2022

Quantos votos são necessários no Ceará para se eleger como deputado estadual ou federal em 2022?



Com quantos votos um candidato conquista uma cadeira na Câmara dos Deputados? E na Assembleia Legislativa do Ceará? A essa altura, a resposta ainda é imprecisa e depende diretamente do partido escolhido por cada candidato. Nos bastidores, contudo, os cálculos já começaram. Líderes partidários, parlamentares que buscam reeleição e pré-candidatos já estimam qual deve ser a "linha de corte" para ser eleito em outubro de 2022

Com a definição das vagas de deputado estadual e federal sendo feitas pelo sistema proporcional, tão importante quanto a votação individual é a soma de votos do partido. Neste sistema, é a legenda - ou a federação partidária - quem conquista as cadeiras para, então, os mais votados de cada agremiação serem eleitos.

A matemática passa ainda por outros elementos: eventuais puxadores de votos, se a chapa de candidatos irá completa ou não, quantos deputados com mandato irão concorrer, qual o potencial de votos de quem concorre pela primeira vez, dentre outros. Até mesmo a confirmação de quantos eleitores estão aptos a votar em 2022 influencia nestes cálculos. 

Algumas dessas perguntas só terão respostas, por exemplo, nas convenções partidárias - que iniciam no dia 20 de julho e vão até 5 de agosto - e devem definir as candidaturas não apenas para o Legislativo como também para o Executivo. Outras, só devem ser respondidas nas urnas.

"NÚMERO MÁGICO"

Com 22 vagas para o Ceará, a disputa pela Câmara dos Deputados deve exigir dos candidatos um número maior de votos. Um número é, inclusive, apontado como "mágico" na conquista de mandato como deputado federal: 100 mil votos. 

Em 2018, apenas cinco parlamentares federais foram eleitos com uma votação menor do que essa, segundo dados da Justiça Eleitoral. Um deles, Heitor Freire (União Brasil), chegou bem perto - ficou com 97,2 mil. Por outro lado, o agora vereador de Fortaleza Ronaldo Martins ficou de fora apesar dos 101 mil votos recebidos. 

O caso de Martins seria, no entanto, uma exceção, apontam parlamentares. Pré-candidato à reeleição, o deputado federal Eduardo Bismarck (PDT) afirma que, abaixo dos 100 mil votos, o candidato "fica no risco" de não ser eleito. 

Presidente estadual do PDT Ceará e também deputado federal, André Figueiredo contrapõe que, por exemplo, se houver um "puxador de votos", ou seja, um candidato com votação bem acima dos demais, ele pode puxar alguém que tenha "80 ou 80 e poucos mil votos". "Não existe um número uniforme", ressalta. Segundo ele, a expectativa é de que o PDT eleja seis federais. 

Apesar do "número mágico" dos 100 mil votos, algumas lideranças partidárias apostam em números pouco menores como a "linha de corte" para candidatos serem eleitos, ou seja, seria possível que o último deputado eleito pelo partido tivesse uma votação um pouco menor. 

PROJEÇÃO MENOR PARA "LINHA DE CORTE"

Presidente do PSD Ceará, Domingos Filho considera que seria possível um deputado federal ser eleito pelo partido com 70 mil votos - a projeção dele é ampliar a bancada de dois para cinco parlamentares. 

Presidente estadual do União Brasil, Capitão Wagner considera que o partido deve somar 1 milhão de votos na disputa para a Câmara dos Deputados, o que poderia eleger seis ou sete deputados federais. "O último deve entrar com cerca de 60 mil votos", projeta. 

Outras legendas têm construído estratégias para conseguir conquistar duas vagas a partir de um candidato que tenha uma votação mais alta e possa "puxar" mais uma cadeira. 

Principal líder do PP no Ceará, o deputado estadual Zezinho Albuquerque considera que o partido deve eleger o primeiro deputado com uma votação em torno de 200 mil votos. "Estamos trabalhando para ter mais uns 120 mil votos juntando os outros candidatos", completa, dizendo que resultaria na disputa por uma das vagas da "sobra".

O ex-vice-prefeito de Fortaleza Moroni Torgan (Cidadania) é a aposta da federação que une PSDB e Cidadania para alcançar uma votação expressiva, diz o presidente estadual do Cidadania, Alexandre Pereira. Com isso, ele aponta que "a expectativa é fazer dois deputados federais". Segundo Pereira, a projeção é que esta segunda vaga possa ser alcançada com uma votação entre 50 a 70 mil votos. 

DISPUTA NA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA

Para conquistar um mandato no Legislativo estadual, por outro lado, a quantidade de votos necessários deve ser menor. Em 2018, por exemplo, cinco deputados estaduais foram eleitos com votação na casa dos 20 mil. Em alguns partidos, essa ainda é a projeção para 2022.

Alexandre Pereira cita que a chapa do Cidadania e do PSDB já levou em consideração a votação na hora da montagem: nenhum pré-candidato com mais de 25 mil votos integra a lista de concorrentes da federação. Ele aponta que aqueles que tiverem 20 mil votos devem estar na disputa da vaga e, entre 25 e 30 mil, podem ter a eleição garantida. 

"Vamos ser uma das chapas que vai eleger com menor número de votos. Essa geralmente tem sido nossa estratégia: não ter nomes com muitos votos para ser uma disputa igualitária", afirma Pereira. 

No União Brasil, a perspectiva é de ampliar a bancada na Assembleia Legislativa. Capitão Wagner projeta que o último eleito "deve entrar com 30 mil votos". "A gente conhece o potencial de cada candidato e devem ser acertadas essas projeções", acredita. 

FORTALECIMENTO DO VOTO DE LEGENDA

Outra federação partidária que deve concorrer nesta eleição é a formada por PT, PV e PCdoB. Juntos, os três partidos possuem nove parlamentares. O objetivo, segundo o presidente do PT Ceará, Antônio Filho (Conin), é ampliar para 10 deputados estaduais na próxima legislatura. 

Alguns parlamentares da federação já projetam qual deve ser a votação para candidatos da federação conquistarem um mandato. Acrísio Sena (PT) acredita que apenas o PT deve fazer oito parlamentares. "Estaria em torno de 40 a 45 mil a linha de corte para o último (candidato a ser eleito)", aponta. 

Carlos Felipe (PCdoB) projeta que, levando em conta a chapa da federação completa, esta linha de corte "vai variar de 35 a 40 mil votos". Ele argumenta ainda que, com a candidatura do ex-presidente Lula (PT), o voto de legenda pode ser fortalecido, já que “com o Lula a nível nacional, talvez puxe mais para o Estado”, o que contribui para a eleição de parlamentares. 

Quem também pode ser favorecido pela candidatura é o PL, legenda em que o presidente Jair Bolsonaro irá tentar a reeleição. Presidente do partido no Ceará, o prefeito do Eusébio, Acilon Gonçalves, disse que existem articulações sendo feitas e só deve ter a projeção de uma possível 'linha de corte' após o dia 6 de julho. 

Deputado estadual e pré-candidata à reeleição, Dra. Silvana afirma que também não tem essas projeções ainda, mas que a expectativa é de que a legenda eleja, pelo menos, quatro parlamentares estaduais. "Em termos de voto, eu estou trabalhando para fazer o meu coeficiente até só", diz. Em 2018, o quociente eleitoral foi de 99,5 mil votos. 

AMPLIAÇÃO DE BANCADAS

Legendas trabalham ainda com a meta de manter as amplas bancadas ou de aumentar significativamente o número de deputados estaduais. Com o maior número de parlamentares na Assembleia Legislativa, a expectativa do PDT é de eleger entre 14 e 16 candidatos, segundo André Figueiredo. 

O partido é também considerado o que terá a disputa interna mais difícil. Pré-candidato à reeleição, Osmar Baquit (PDT) calcula que o último a entrar pela legenda pedetista deve ter "de 50 a 53 mil votos", por exemplo. Um cálculo que muda a depender de novos apoios que cada pré-candidato vai conquistar nesse período pré-eleitoral. 

O PSD também pretende se tornar uma das grandes bancadas da Casa. Segundo Domingos Filho a perspectiva é de sair de três para oito deputados estaduais pela legenda. Para isso, a linha de corte deve ser de "30 ou 30 e poucos mil votos". Segundo ele, "algumas lideranças nossas ainda estão se definindo" quanto à candidatura, mas a expectativa é de sair com a chapa completa.

No PP, a expectativa é de eleger quatro deputados estaduais, afirma Zezinho Albuquerque. A projeção dele é de que o último a entrar tenha em torno de 40 mil votos. Nos bastidores, parlamentares do partido consideram que essa linha de corte pode ser até mais baixa, entre 30 e 35 mil, a depender da votação total da legenda.